Field Blend – Descubra seu significado no mundo do vinho

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Field Blend
Foto: canstockphoto.com | Field Blend

Possivelmente você já se deparou com uma garrafa de vinho que em seu rótulo estava escrito “Field Blend”. Esse é o momento que você me pergunta:

Mas o que isso significa? 

Então, vamos por partes… eu vou explicar tudo tim tim por tim tim. Até porque no final do artigo, como de costume, indicarei alguns vinhos que representam esse estilo. Assim você poderá fazer tim tim com a sua taça já sendo praticamente um expert no assunto!

 

 

Definindo Varietal e Blend

Varietal e Blend são dois termos muito comuns no mundo do vinho. Por isso, acho importante fazer uma ressalva quanto a definição dos mesmos.

O vinho denominado como varietal ou monocasta, teoricamente, possui apenas uma variedade de uva. Teoricamente? Sim, dependendo das normas da região onde esse vinho foi produzido ele pode ser classificado como varietal, se em sua composição houver pelo menos 85% de uma única variedade.

No entanto, para um vinho ser considerado como blend ou corte, deve conter ao menos duas variedades em sua composição. Então, se você ler no rótulo Merlot, esse vinho é um varietal. Se no rótulo estiver escrito Merlot, Malbec e Cabernet Sauvignon, esse vinho é um blend, ok?

 

O significado de Field Blend

Field Blend
Foto: commons.wikimedia.org | Vinha Field Blend

Em sua tradução literal Field Blend significa “Mistura de Campo”. Assim, na viticultura podemos dizer que é uma vinha (ou vinhedo) onde as variedades foram plantadas juntas e geralmente de forma aleatória. Podendo conter misturas de uvas tintas e brancas.

Então o que um vinho precisa ter para ser chamado de Field Blend?

  • Primeiramente, como já descrito acima, as uvas precisam ser provenientes de uma mistura de campo.
 
  • A segunda característica, é que todas as variedades são colhidas ao mesmo tempo.
 
  • E por fim, assim que chegam do campo para a adega, todas as variedades são vinificadas juntas. O que chamamos de co-fermentação.
 

Parece simples, mas não é…

À primeiro momento, a ideia de plantar, colher e vinificar tudo misturado pode parecer uma prática mais simples. Esse pensamento até poderia fazer sentido se compararmos com as práticas atuais, onde todas as etapas são feitas separadamente. O que exige muito mais horas de trabalho.

No entanto, não é bem assim. Em uma vinha Field Blend a escolha do momento ideal para a colheita é um grande desafio tanto para o viticultor, quanto para o enólogo.

Isso porque cada variedade possui necessidades específicas durante seu ciclo de maturação. Que vão desde, macro e micronutrientes, demanda hídrica e de horas de luminosidade, entre outros cuidados. E não podemos esquecer um dos principais fatores que diferencia um ciclo de outro, o tempo.

Assim, a escolha do momento ideal para colheita é baseada no equilíbrio. De uma forma bem didática, vou explicar usando como exemplo uma uva que não completou seu ciclo e outra sobrematurada. 

A primeira não possui a concentração de açúcares desejada, entretanto, ainda conserva um alto nível de acidez. Já na sobrematurada, temos uma situação contrária, com muita concentração de açúcares e baixo nível de acidez. O que acaba trazendo harmonia necessária entre os compostos para o vinho.

 

Field Blend, surpresa a cada safra

Field Blend | Co-fermentação
Foto: winetitles.com.au | Field Blend | Co-fermentação

A vinificação utilizando a técnica de co-fermentação também é uma prática muito antiga. E muito provavelmente foi criada de forma intuitiva. Entretanto, com o avanço no campo das pesquisas aliada à tecnologia, hoje podemos entender de forma muito mais assertiva o que acontece nesse processo.

Uma das maiores objeções quanto ao uso dessa prática hoje em dia, é a dificuldade em conseguir consistência entre as safras. Que fique claro, a possível falta de consistência não significa perda de qualidade. A regularidade nas características finais do vinho é uma demanda de mercado.

Por mais trabalhoso que seja, vinificar parcelas e variedades separadamente e só depois do vinho pronto definir o blend, permite que o enólogo tenha um controle maior durante o processo.

Na contramão dessa exigência de mercado, existe produtores apologistas a essa prática. Eles atendem uma pequena demanda de um público muito específico, que valorizam um processo de produção menos intervencionista.

 

 

 

Exclusividade do Velho Mundo

A produção de vinhos Fiel Blend não é exclusividade do Velho Mundo. Podemos equivocadamente ter essa ideia quando associamos suas regiões antigas ao modo de plantio e estilo de vinificação.

Muito facilmente conseguimos achar exemplares do estilo produzidos no Chile, Argentina, Austrália, Estados Unidos, e muito provavelmente em outros países que fazem parte do Novo Mundo.

Contudo, são extremamente valorizados por aqueles que entendem que seus lotes resultam em vinhos com personalidade única. Equilibrados, complexos, e que representam a expressão de um terroir. Ou seja, carregam em seu DNA as características ligadas ao seu local de origem.

 

De Martino Old Bush Single Vineyard Limávida 2011 – De Martino (Chile)

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Quinta do Vallado Reserva Field Blend 2019 – Quinta do Vallado (Portugal)

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Anti Synthesis Field Blend – Finca Sophenia (Argentina)

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Quinta do Síbio Field Blend White – Real Companhia Velha (Portugal)

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>> Vinhos Unoaked – Você conhece?

 

 

Eduardo Amorim

Eduardo Amorim

Fundador
Enólogo com Mestrado e Licenciatura em Enologia e Viticultura,
Sommelier ABS-SP/ASI, Formador CCP, Wine Educator.

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